A Diretora da DIREC 23 acaba de ser exonerada. Ao tomarmos conhecimento do fato, vem-nos a inquietação: a quem esse ato satisfaz? Aos que se entrincheiram na luta por uma educação livre, democrática e de qualidade tenho certeza de que não. Ao governo que, atendendo a uma luta histórica dos trabalhadores em educação, instituiu as eleições diretas para dirigentes das escolas estaduais também não. Somente a truculência, os resquícios da ditadura e a hipocrisia dos oportunistas que militam por suas próprias conveniências poderiam estar se deleitando no júbilo neste momento.
Tivemos sim eleições diretas e livres na nossa escola. Livres para alguns, pois houve funcionários que, na extemporânea subserviência aos seus senhores, deixaram de comparecer, causando a anulação do pleito. Mas prevaleceu a legalidade e, cima de tudo, a ética e a legitimidade, coisas que historicamente ignoraram e venceram pela força do chicote. Isso causou-lhes incômodo e acendeu-lhes a chama da prepotência e, devo dizer, causou até certa estranheza, pois são uns alienígenas num país guiado pela democracia.
E qual a culpa da então diretora nessa história? O peso de ter conduzido o processo de forma aberta, obedecendo às normas emanadas de um governo comprometido com os sagrados princípios da democracia.
Não tenho dúvida de que fogos tirarão o sono do povo desta cidade por que estamos diante de pessoas que têm como ideologia pura e unicamente o massacre aos que não lêem na sua cartilha e a farra e banquete de fogos no ar, numa demonstração primitiva de vitória. A conjuntura permitisse e teríamos cabeças espetadas nos postes como troféus.
Resta-nos como cidadãos e educadores mantermo-nos vigilantes para que essa praga não mais infeste nossas escolas, pois não há a mínima compatibilidade entre a educação que nós e o governo do PT buscamos e os interesses mesquinhos e ultrapassados de quem ainda usa a força policial para amedrontar professores em plena realização da sua semana pedagógica. Tampouco para os maquiadores de praças que pensam que com “feitinhos” faraônicos vão conseguir ludibriar a boa fé do nosso povo.
Queremos e lutamos por nossas escolas livres e não aceitamos que o ensino público seja transformado em moeda de troca entre caciques e o governo, que parece não conhecer o lamaçal de onde se levantam as mãos a mendigar-lhe favores. Certo é que aquele que estender a mão a essa espécie de gente sairá também com a sua suja.
Eu sou solidário à diretora da DIREC 23, agora exonerada, e ouso dizer que o governo da Bahia cometeu um retrocesso muito grande no momento crucial em que tenta democratizar a educação em nosso estado, favorecendo às mais reacionárias forças que sempre teimam em procurar arrimo no poder, mas tratam seus munícipes e seus próprios professores a chicotadas.
...Para o secretário Adeum Sauer, as eleições representam um importante passo para a autonomia que a escola está buscando e servem para dar mais legitimidade aos gestores. "As eleições vêm comungar com os propósitos da secretaria de oferecer uma educação de qualidade. "
Como se vê, quem está dizendo que os atuais gestores são um estorvo à qualidade da educação no estado da Bahia não sou eu; é o próprio Secretário de Educação, quando foi assinado o decreto que institui eleições diretas para diretores e vices das escolas estaduais. Aliás, ele pode dizer isso e muito mais, pois não vai ser rebatizado com apelidos jocosos nas religiosas seções "culturais" que acontecem nos bastidores dos dirigentes de nossas escolas. Também ele se acha numa situação confortável, digna de quem pode bater a mão no peito, sobre um legítimo (o dele sim) bottom do PT e bradar: "O que vem de baixo não me atinge."
Pois é, cá embaixo fomos todos atingidos: alunos, professores, alguns funcionários, toda a comunidade escolar e o próprio município. Recebemos de nossa escola a mais sórdida lição de desrespeito aos princípios da democracia, da tolerância e da própria dignidade humana. Exagero? Eu digo que não, pois quem precisa tomar opiniões fora e a elas obedecer para traçar as suas atitudes na sua instituição de ensino não tem amor próprio, não se respeita e, talvez sem perceber a intensidade da sua submissão, deixa que lhe escape por entre os dedos a sua valiosa dignidade como pessoa e cidadão. Pior do que isso: tudo feito na tentativa de alienar também nossos jovens estudantes, a quem temos o dever de instigar a sua caminhada com base nos princípios democráticos, de liberdade e cidadania.
O Governador do Estado atendeu a nossa reivindicação ao nos proporcionar esse sagrado direito. O espaço estava aberto às candidaturas, ainda que restrito àqueles que se mostraram habilitados para tal. Houve uma só proposta. Foi visível o entusiasmo de toda a comunidade escolar, principalmente dos jovens. Mas houve o empecilho representado exatamente por aqueles que, embora com as mesmas condições, nenhuma proposta apresentaram. O resto foi lamentável. Feriado aos funcionários, visível diferença de tratamento com as pessoas no decorrer de todo o período... Coisas da mais baixa mesquinhez, que nem são dignas de registro, pois ferem a o senso de um leitor sadio.
E imaginem que os protagonistas desse lastimável espetáculo também ostentam um bottom no peito (de oPorTunismo), pois fizeram boicotar o coroamento de um dos mais nobres e respeitados atos do governo do Partido dos Trabalhadores na Bahia, as eleições diretas para diretores e vice-diretores das escolas estaduais. Para isso não precisaram ir muito longe à busca de seus métodos, pois ainda têm na boca o gosto da fonte onde sempre beberam.
A decepção não é só minha, é acima de tudo dos jovens, que com seu peculiar entusiasmo, esperavam o resultado do seu engajamento, demonstrado com a sua natural algazarra nos últimos dias, não importando qual fosse sua opinião. Queriam todos ver a mágica da afirmação e confirmação do seu poder de escolher os seus próprios caminhos. Que o remorso caia sobre quem o mereça.
Resta aqui a minha gratidão ao nosso Governador do Estado por ter se comprometido e atendido a essa luta de tantos anos e lhe dizer que o sapato que nos deu ainda está folgado.
Há muitos anos professores e alunos das escolas estaduais da Bahia vêm lutando por eleições diretas para diretores e vice-diretores das escolas do estado. Agora nossa luta virou realidade. Dia 17 de dezembro teremos eleições na nossa escola.
Aqui no CELEM quatro professores passaram numa prova e foram habilitados a concorrer. Três professores, porém, por motivos justificáveis (já que a vida de professor é cheia de outros compromissos) não puderam se candidatar. Sugerimos que a professora Viviane se candidatasse. Ela também vacilou muito antes de aceitar. Afinal, é nossa primeira experiência. Mas aceitou. Se não fosse a coragem e determinação de Viviane o nosso colégio passaria batido por não apresentar uma candidatura. E aí, como sempre aconteceu, os diretores seriam indicados por politiqueiros. Alunos e professores seriam obrigados a conviver sob a direção de pessoas sem capacidade, sem preparo para liderança e sem compromisso com a educação, principalmente com os alunos, servindo apenas ao SENHOR que lhe indicou.
Não importa a sua opção político-partidária fora do colégio. Aqui somos uma comunidade que devemos escolher o melhor para nós, fazendo daqui uma família que se prepara para os desafios que teremos de enfrentar lá fora. LEMBRE-SE: A POLÍTICA LÁ FORA REQUER O NOSSO EXERCÍCIO DE CIDADÃO; A POLÍTICA NA SUA ESCOLA É UMA DEMONSTRAÇÃO DE QUE VOCÊ CRESCEU E É CAPAZ DE MOSTRAR PARA O SEU MUNICÍPIO QUE VOCÊ PODE TOMAR DECISÕES . AS MANIFESTAÇÕES ESTUDANTIS MUDARAM O RUMO DA HISTÓRIA DO NOSSO PAÍS. TENHA ORGULHO DE SER VOCÊ.
Vai pispiando minha dor, minha gunia Que estremeceu isturdia , A minha acanhação E nunca mais vou ter medo De “curuja” nem de visage Que nunca faltou coragem/ Pra abrir meu coração.
O que pispia muito logo se acaba O que ta alto desaba Que nem imbu e pequi E sabiá, que tem bom conhecimento Grita alto ao relento: - Por favor, saia daqui.
"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."
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João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) a 27 de junho de 1908 e era o primeiro dos seis filhos de D. Francisca (Chiquitinha) Guimarães Rosa e de Florduardo Pinto Rosa, mais conhecido por "seu Fulô" comerciante, juiz-de-paz, caçador de onças e contador de estórias.